domingo, 26 de julho de 2009

A César o que é de César!

No mundo globalizado (com o perdão do clichê xD), nada é mais comum do que países explorando recursos de outros, ou direitos sobre uma mesma empresa sendo divididos entre gente de mais de uma nacionalidade. O rolo, porém, vem quando uma dessas nações resolve tomar o que é seu, ou ao menos ganhar um dinheirinho a mais pelos recursos que detém. Isso pode acontecer de forma pacífica, ou pela força mesmo. Veja alguns exemplos ao longo da história:


Anteontem, o Lula assinou com o presidente paraguaio Fernando Lugo, um acordo que tem a ver com a Hidrelétrica de Itaipu, a qual pertence às duas nações. A maior parte da produção fica pra nós, e a menor para o Paraguai (mas eles precisam de tão pouco que ainda sobra). Essa sobra, eles vendem para nós. Com esse acordo, nós pagamos um "pouquinho" - US$240 milhões - a mais por ano pela parte que compramos deles. E eles também podem, agora, vender energia para outras empresas brasileiras.


Em 2006 (nem parece!), Evo Morales nacionalizou o gás boliviano. Nós tínhamos construído o gasoduto lá, em 1997, e o gás extraído devia ser nosso até 2019. Depois disso, ficamos vulneráveis aos conflitos internos bolivianos, já que metade do gás que o Brasil consome é de lá. Tanto é que, em setembro do ano passado, a oposição cortou o fornecimento pra cá por uns 2 dias.


Em 1999, o Panamá (como estava previsto no contrato) assumiu o controle do Canal do Panamá. Esse canal havia sido construído pelos americanos em 1914, após 10 anos de trabalho, e permite a passagem aquática do Pacífico para o Atlântico sem precisar dar uma volta gigaaante. Desde a nacionalização eles têm melhorado bastante o canal, que foi declarado uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis.


Em 1956, Nasser nacionalizou o Canal de Suez, no Egito. Esse canal liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, por isso dá pra ir da Ásia à Europa sem ter que contornar a África. O canal, que havia sido construido entre 1859 e 1869, era controlado por ingleses e franceses. A nacionalização quase deu em guerra, envolvendo os 3 países e Israel.



Em 1953, com a vitória da campanha "O Petróleo é nosso", foi criada a Petrobrás pelo presidente Getúlio Vargas. Desde 1946 os estrangeiros podiam explorar o petróleo brasileiro. Com a campanha, os nacionalistas - defensores do monopólio estatal do petróleo - venceram os "entreguistas", que concordavam com empresas de fora dominando as jazidas daqui. E é por isso que brasileiro não tem muito moral pra reclamar do Evo Morales xD


Moral da história: energia e canal é como gosto, cada um tem o seu (?) xD


Mais: "Não podemos permitir um retrocesso aos anos 60 na América Latina. Temos que nos lembrar que naquela época a onda de golpes militares começou na Guatemala até chegar ao Brasil e à Argentina." - Alexandre Conceição, integrante da direção nacional do MST, manifestando, em Honduras, apoio a Zelaya (presidente deposto num golpe militar).

É isso aí, até a próxima! o/

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